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Índice de conteúdos- Super El Niño 2026: sua cadeia de suptimentos está pronta para a tempestade?
- Um Super El Niño pode ser um desastre para a supply chain alimentícia
- Culturas em crise
- Da fazenda à prateleira: como a disrupção se espalha
- A lacuna no planejamento: por que a maioria das empresas do setor alimentício não está pronta
- 4 maneiras de construir uma cadeia de suprimentos alimentícia resistente às condições climáticas
- Veja todos os clientes do setor de alimentos
- A tempestade está chegando, você já está preparado?
- Quer entender como sua abordagem atual de planejamento de demanda se sai na comparação?
- Fontes e materiais para aprofundamento
Visão geral
O iminente “super” El Niño de 2026 ameaça causar graves interrupções nas cadeias globais de abastecimento alimentar devido à sua intensidade incomum e ao contexto atual de múltiplas crises. Esse fenômeno climático extremo pode afetar significativamente a produção e a distribuição de alimentos essenciais em todo o mundo.
O clima sempre foi uma incógnita para as empresas do setor alimentício. Mas o que está se formando no Pacífico agora não é apenas mais uma temporada imprevisível de mudanças.
O fenômeno ganhou o nome de Super El Niño. Pode ser o mais forte em décadas, e cientistas temem que os efeitos combinados possam mudar o clima em todo o mundo, enquanto analistas de negócios alertam que as cadeias de abastecimento globais do setor alimentício certamente vão entrar em colapso.
Segundo a maioria dos especialistas, o tempo para se preparar está se esgotando rapidamente. A Organização Meteorológica Mundial prevê uma probabilidade de 60% de que o El Niño se desenvolva até o verão de 2026.
Para as empresas da cadeia de suprimentos do setor alimentício, as consequências podem ser devastadoras.
Um Super El Niño pode ser um desastre para a supply chain alimentícia
O último, em 2016, provocou uma seca severa na Etiópia, incêndios florestais devastadores por toda a Indonésia e perdas agrícolas estimadas em US$ 327 milhões só nessa área. Os danos econômicos globais foram estimados em trilhões nos anos seguintes.
O que torna a perspectiva atual para 2026 muito mais grave é o contexto em que ela se insere. Esse Super El Niño está chegando em um sistema que já está sob forte pressão. Os preços do petróleo ainda estão sendo fortemente afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, o que significa que as tarifas de contêineres transpacíficos já estão 40% acima dos níveis pré-crise devido às interrupções no comércio do Oriente Médio.
Além disso, as exportações de fertilizantes à base de ureia e fósforo estão restritas no momento.
Os custos de energia estão altos em todo o mundo e as cadeias de suprimentos, que historicamente já tinham dificuldade em absorver um choque significativo de cada vez, agora precisam lidar com vários ao mesmo tempo. Esta é a era da policrise, e ela deve abalar uma indústria alimentícia que já estava sob pressão significativa.
Culturas em crise
Algumas commodities estão muito mais expostas do que outras. Mas a lista de “alimentos básicos em risco” deve preocupar qualquer empresa do setor alimentício.
O arroz é um dos mais vulneráveis. A Índia, um dos maiores exportadores do mundo, viu sua produção cair em quase 3,8 milhões de toneladas durante o período de 2023–24.
Um Super El Niño poderia desencadear crises ainda mais graves.
O óleo de palma é outro produto básico em risco, já que o Sudeste Asiático e a Austrália enfrentam condições semelhantes a uma seca.
E o cenário mais fraco das commodities não é nada menos preocupante.
Cacau, café, chá e açúcar são considerados altamente sensíveis às variações climáticas, principalmente os produtos ligados a regiões tropicais de cultivo. Os analistas também estão destacando uma pressão mais ampla sobre o trigo, a soja e as frutas cítricas, com os principais países exportadores — incluindo Austrália, Brasil e partes dos EUA — todos na zona de impacto prevista.
Para os fabricantes e varejistas de alimentos, isso representa uma grande preocupação em relação às margens, à continuidade e à visibilidade.
Da fazenda à prateleira: como a disrupção se espalha
O impacto direto nas safras é só o começo do problema para as empresas do setor de alimentos. O que torna os eventos do El Niño tão perturbadores para as cadeias de abastecimento é a forma como os choques se propagam a jusante. E este não é um El Niño qualquer.
Durante o último episódio, houve escassez de alface americana. Fortes nevascas no sul da Espanha devastaram as plantações, reduzindo o abastecimento de brócolis, espinafre e abobrinhas que chegavam ao Reino Unido, com muitos supermercados recorrendo ao racionamento.
Além disso, a redução na produção nas principais regiões de cultivo gera volatilidade nos preços das commodities.
Os analistas estão prevendo um aumento de até 40% acima dos preços à vista atuais para produtos agrícolas “em risco”.
Essa pressão pode se refletir rapidamente nos custos dos insumos, com fertilizantes, energia para processamento e materiais de embalagem sendo todos afetados.
E ainda tem a logística
Inundações e eventos climáticos extremos ao longo da costa da América do Sul podem colocar a infraestrutura portuária em enorme risco.
As instalações portuárias do Pacífico Oriental provavelmente enfrentarão um risco elevado de interrupção operacional, à medida que padrões incomuns de tempestades se aproximam da região. Para um setor de transporte marítimo que já está sob enorme pressão, isso significa que os prazos de entrega podem se tornar mais difíceis de prever e mais demorados de planejar.
O resultado final são prateleiras vazias, como em 2017, preços de custo mais altos tanto para fornecedores quanto para clientes, menos flexibilidade e níveis de serviço bem reduzidos, levando ao racionamento.
Esses são pontos de pressão que prejudicam as relações com o varejo e minam a confiança do consumidor. No fim das contas, isso afeta gravemente as marcas que não estão preparadas.
A lacuna no planejamento: por que a maioria das empresas do setor alimentício não está pronta
O desafio para uma empresa do setor alimentício é que essas questões raramente surgem ao mesmo tempo.
A inflação de preços geralmente ocorre até 8 meses após o início de um evento climático, já que o impacto só é sentido devido à queda na produção.
O lado positivo é que esse atraso pode ser uma janela de planejamento para as empresas que percebem os sinais a tempo de agir. Mas fica o aviso: esse prazo pode variar de 4 meses para cima. Por isso, ficar de olho na situação é fundamental.
A maioria dos modelos de planejamento da cadeia de suprimentos simplesmente não foi feita para esse tipo de interrupção.
A previsão tradicional da demanda depende muito de padrões históricos. Mas esses modelos não estão preparados para lidar com o tipo de interrupção estrutural no abastecimento que um Super El Niño traz, porque não há nenhum evento comparável recente no histórico de dados da maioria das empresas.
Mesmo usar o último El Niño como referência pode não ser suficiente para estimar a interrupção.
Isso cria um ponto cego estratégico para você e sua empresa
Muitos gestores da cadeia de suprimentos de alimentos vão continuar planejando como se a produção agrícola fosse seguir como nos anos anteriores. Ou seja, comprando nas mesmas regiões, a preços parecidos e com os mesmos prazos de entrega com os quais já estão acostumados.
Mas essas suposições vão por água abaixo.
Se um Super El Niño realmente acontecer — o que parece mais provável do que improvável —, elas vão se desmoronar mais rápido do que você consegue se adaptar.
Pesquisas mostram que a grande maioria das empresas do setor de alimentos subestima enormemente o risco associado a previsões regulares e abordagens reativas.
Um fabricante de alimentos que compra cacau, por exemplo, de uma única origem na África Ocidental, ou café de um único fornecedor colombiano, tem muito pouca margem de manobra quando toda essa região é duramente atingida.
As empresas que tentam resistir à tempestade dessas perturbações geralmente não têm sorte ao lidar com os impactos.
Aquelas que se perguntam onde estão seus pontos fracos e tomam medidas a respeito geralmente obtêm resultados muito melhores.
4 maneiras de construir uma cadeia de suprimentos alimentícia resistente às condições climáticas
Compras por pânico e pedidos em grandes quantidades não vão dar conta do recado para ajudar com os problemas da sua cadeia de suprimentos quando um Super El Niño chegar.
Você precisa incorporar resiliência estrutural ao planejamento da sua cadeia de suprimentos antes que a pressão chegue.
1. Diversifique suas fontes de abastecimento
Isso parece um passo óbvio para lidar com os problemas com fornecedores, mas é algo que as empresas muitas vezes deixam de fazer, até que a crise chegue.
Para se antecipar aos problemas, mapeie sua exposição às commodities por origem.
Para cada ingrediente ou matéria-prima que venha de uma região na zona de impacto do Super El Niño, tenta encontrar pelo menos uma fonte alternativa.
Isso significa construir relacionamentos, avaliar as fontes e entender as diferenças nos prazos de entrega antes que você precise delas.
Para categorias como cacau, café e óleos tropicais, isso pode significar aceitar um aumento de custo no curto prazo em troca da segurança do abastecimento.
2. Previsão de demanda e oferta com base em cenários
Tenta ir além das médias históricas nas tuas previsões. Em um evento de Super El Niño, a história não vai te ajudar.
Em vez disso, você precisará criar modelos de cenários que levem em conta a variabilidade climática.
Como ficaria seu plano de reabastecimento se o arroz custasse 30% a mais no quarto trimestre?
O que aconteceria se o seu principal fornecedor de óleo de palma tivesse uma prorrogação de três meses no prazo de entrega? Como isso afetaria sua capacidade de abastecer seus próprios clientes?
Esse tipo de análise de sensibilidade transforma riscos abstratos em decisões concretas que você pode tomar com antecedência, em vez de reagir sob pressão.
As empresas que fizerem isso vão incorporar a volatilidade climática como uma variável padrão no planejamento.
3. Estratégias de hedge para commodities “em risco”
Algumas matérias-primas estão naturalmente mais expostas à volatilidade de preços.
Cacau, açúcar, óleos vegetais e café são exemplos disso. E tem outros também. É preciso ter conversas sérias com as equipes de compras e finanças sobre contratos a termo e como proteger seus negócios.
Garanta o abastecimento a preços contratados antes do período de pico de volatilidade.
Isso provavelmente ocorrerá no terceiro e quarto trimestres de 2026 e, possivelmente, se estenderá até 2027. Especialmente considerando o prazo de 4 a 8 meses que a volatilidade de preços leva para se manifestar após o evento.
A certeza de custos que vem de preços garantidos simplesmente não estará disponível para você com medidas reativas.
Num mercado em que os analistas estão prevendo aumentos de 20 a 40% acima das taxas spot atuais, o custo da inércia pode ser uma preocupação significativa se você não tiver feito nada para se planejar com antecedência.
4. Fortaleça a colaboração e a comunicação com seus fornecedores
A resiliência raramente se constrói sozinha, mas sim por meio da cooperação e da comunicação com seus fornecedores. Isso é algo que a Slimstock incentiva mesmo em tempos tranquilos. Com um Super El Niño se aproximando, isso se torna uma necessidade.
Empresas do setor alimentício que mantêm relações estreitas com seus fornecedores costumam criar cadeias de abastecimento robustas, especialmente em períodos de instabilidade.
Garanta que a informação flua nos dois sentidos antes que os problemas se agravem.
Compras meramente transacionais não vão te ajudar a criar laços fortes com os fornecedores, então invista em parcerias genuínas na cadeia de suprimentos que sejam mutuamente benéficas.
Compartilhe suas previsões de demanda de forma proativa com os fornecedores e pergunte aos principais deles sobre sua própria exposição aos impactos do El Niño e seus planos de contingência.
Isso vai garantir uma comunicação clara para alertas antecipados, sejam eles quedas na produção, atrasos nos prazos de entrega ou problemas de qualidade nas principais regiões produtoras.
Fornecedores que se sentem como parceiros têm muito mais chances de priorizar seus pedidos quando a própria capacidade deles estiver limitada.
A tempestade está chegando, você já está preparado?
Um fenômeno El Niño não é uma preocupação nova e, como ocorre a cada poucos anos, é algo comum. Mas a gravidade do que está por vir precisa chamar sua atenção.
O que está agravando essa situação é tanto a intensidade do fenômeno em si quanto o contexto em que ele está chegando.
Rotas comerciais sobrecarregadas, custos elevados de insumos e cadeias de abastecimento que passaram por grandes desafios nos últimos 5 anos vão sofrer muito mais se o planejamento for deixado para depois.
A boa notícia?
O Super El Niño de 2026 ainda está se formando. Ainda não se sabe até que ponto ele afetará as cadeias de abastecimento globais do setor alimentício. Mas isso pode ser uma boa ou uma má notícia.
Você ainda tem tempo para agir.
A janela de planejamento, embora esteja se estreitando a cada semana, ainda está aberta no momento em que escrevo este artigo.
Certifique-se de tratar sua previsão de demanda e seu planejamento de estoque como prioridades estratégicas, e não como funções operacionais, e você estará em melhor posição para absorver a pressão do que aqueles que não o fazem.
As mudanças climáticas são o novo ambiente operacional para o qual você precisa se preparar. Mesmo em uma crise múltipla como a que estamos vivendo agora.
A questão é: você vai perceber isso a tempo de fazer algo a respeito?
Quer entender como sua abordagem atual de planejamento de demanda se sai na comparação?
Converse com a equipe da Slimstock sobre como incorporar resiliência climática ao planejamento da sua cadeia de suprimentos.
Fontes e materiais para aprofundamento
- Prepare for El Niño, UN warns – it could be the strongest in decades
- ENSO: Recent Evolution, Current Status and Predictions
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